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Mostrando postagens de abril, 2011

Ismália - Alphonsus de Guimarães

Quando Ismália enlouqueceu, Pôs-se na torre a sonhar... Viu uma lua no céu, Viu outra lua no mar. No sonho em que se perdeu, Banhou-se toda em luar... Queria subir ao céu, Queria descer ao mar... E, no desvario seu, Na torre pôs-se a cantar... Estava perto do céu, Estava longe do mar... E como um anjo pendeu As asas para voar... Queria a lua do céu, Queria a lua do mar... As asas que Deus lhe deu Ruflaram de par em par... Sua alma subiu ao céu, Seu corpo desceu ao mar...

O amor bate na aorta ... - Carlos Drumond de Andrade

Cantiga de amor sem eira nem beira, vira o mundo de cabeça para baixo, suspende a saia das mulheres, tira os óculos dos homens, o amor, seja como for, é o amor. Meu bem, não chores, hoje tem filme de Carlito. O amor bate na porta o amor bate na aorta, fui abrir e me constipei. Cardíaco e melancólico, o amor ronca na horta entre pés de laranjeira entre uvas meio verdes e desejos já maduros. Entre uvas meio verdes, meu amor, não te atormentes. Certos ácidos adoçam a boca murcha dos velhos e quando os dentes não mordem e quando os braços não prendem o amor faz uma cócega o amor desenha uma curva propõe uma geometria. Amor é bicho instruído. Olha: o amor pulou o muro o amor subiu na árvore em tempo de se estrepar. Pronto, o amor se estrepou. Daqui estou vendo o sangue que corre do corpo andrógino. Essa ferida, meu bem, às vezes não sara nunca às vezes sara amanhã. Daqui estou vendo o amor irritado, desapontado, mas também vejo outras coisas: ve...

Ainda uma vez - Adeus... - Gonçalves Dias

                       I Enfim te vejo! - enfim posso, Curvado a teus pés, dizer-te, Que não cessei de querer-te, Pesar de quanto sofri. Muito penei! Cruas ânsias, Dos teus olhos afastado, Houveram-me acabrunhado A não lembrar-me de ti!                       II Dum mundo a outro impelido, Derramei os meus lamentos Nas surdas asas dos ventos, Do mar na crespa cerviz! Baldão, ludíbrio da sorte Em terra estranha, entre gente, Que alheios males não sente, Nem se condói do infeliz!                       III Louco, aflito, a saciar-me D'agravar minha ferida, Tomou-me tédio da vida, Passos da morte senti; Mas quase no passo extremo, No último arcar da esperança, Tu me vieste à lembrança: Quis viver mais e vivi!                   ...

Meus oito anos - Casimiro de Abreu

Oh que saudades que tenho Da aurora da minha vida, Da minha infância querida Que os anos não trazem mais Que amor, que sonhos, que flores, Naquelas tardes fagueiras, A sombra das bananeiras, Debaixo dos laranjais. Como são belos os dias Do despontar da existência Respira a alma inocência, Como perfume a flor; O mar é lago sereno, O céu um manto azulado, O mundo um sonho dourado, A vida um hino de amor ! Que auroras, que sol, que vida Que noites de melodia, Naquela doce alegria, Naquele ingênuo folgar O céu bordado de estrelas, A terra de aromas cheia, As ondas beijando a areia E a lua beijando o mar ! Oh dias de minha infância, Oh meu céu de primavera ! Que doce a vida não era Nessa risonha manhã Em vez das mágoas de agora, Eu tinha nessas delicias De minha mãe as carícias E beijos de minha, irmã ! Livre filho das montanhas, Eu ia bem satisfeito, Pés descalços, braços nus, Correndo pelas campinas A roda das cachoeiras, Atrás das asas ligeira...

Tributo a Meu Pai! - D'Martini

Meu Amigo Meu Irmão Meu Herói Meu Protetor Foi-se para sempre Minha Força Minha Ajuda Minha Guarda Minha Fonte Restabelecedora Partiu... Meu Anjo Meu Guia Meu Instrutor Meu Professor Meu amigo de horas Felizes Meu irmão nas horas Tristes Meu herói nas Conquistas Meu protetor nos Desafios Minha força nas horas Dificeis Minha ajuda nos momentos Complicados Minha guarda perante meus Inimigos Minha fonte restabelecedora... de Sonhos... Meu anjo, eterno protetor Meu guia, me mostrando o caminho Meu instrutor, me mostrando o perigo Meu professor, ensinando a viver... Meu Pai! Que me auxiliou nas horas mais dificeis, Que me alegrou nas horas mais tristes, Que me ensinou nas horas certas, Que viveu por pouco tempo, Mas sendo sua passagem inesquecível em mim! 2006

Tradução: Astro Fulgente - John Keats

Fosse eu imóvel como tu, astro fulgente! Não suspenso da noite com uma luz deserta, A contemplar, com a pálpebra imortal aberta, Monge da natureza, insone e paciente As águas móveis na missão sacerdotal De abluir, rodeando a terra, o humano litoral, Ou vendo a nova máscara – caída leve Sobre as montanhas, sobre os pântanos – da neve, Não! mas firme e imutável sempre, a descansar No seio que amadura de meu belo amor, Para sentir, e sempre, o seu tranqüilo arfar, Desperto, e sempre, numa inquietação-dulçor, Para seu meigo respirar ouvir em sorte, E sempre assim viver, ou desmaiar na morte.

Bright Star - John Keats

Bright star, would I were stedfast as thou art-- Not in lone splendour hung aloft the night And watching, with eternal lids apart, Like nature's patient, sleepless Eremite, The moving waters at their priestlike task Of pure ablution round earth's human shores, Or gazing on the new soft-fallen mask Of snow upon the mountains and the moors-- No--yet still stedfast, still unchangeable, Pillow'd upon my fair love's ripening breast, To feel for ever its soft fall and swell, Awake for ever in a sweet unrest, Still, still to hear her tender-taken breath, And so live ever--or else swoon to death.