Postagens

Mostrando postagens de maio, 2017

Quando vier a primavera - Alberto Caeiro

Quando vier a Primavera, Se eu já estiver morto, As flores florirão da mesma maneira E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada. A realida de não precisa de mim. Sinto uma alegria enorme Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma Se soubesse que amanhã morria E a Primavera era depois de amanhã, Morreria contente, porque ela era depois de amanhã. Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo? Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo; E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse. Por isso, se morrer agora, morro contente, Porque tudo é real e tudo está certo. Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem. Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele. Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências. O que for, quando for, é que será o que é. Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos" Heterónimo de Fernando Pessoa

Ruínas - Daniel Gtr

As paredes de casa estão úmidas     e já não resistem a ação do Tempo.     Sentado em minha cama, vejo     o reboco do teto cedendo     e rachaduras que destoam a pintura.         Sobre minha coxa, cai a poeira,     fruto do desgaste de meu teto.     A cada reflexão, uma rachadura nova;      juntas, criam um mapa de lembranças,     fruto da umidade de meu tempo.         À minha frente, está uma ampulheta,     o teto se desfalece no mesmo ritmo     da areia que cai dentro dela.     Há pouca areia na ampulheta,     mas muita poeira que me sufoca.         O teto cede por inteiro.      Do andar de cima, vêm abaixo     os móveis, vasos e tapetes;     vêm à tona também os livros e as fot...

En-tarde(ser) - Daniel Gtr

refiz pensamentos   na tarde de sol    que se movia   teci lembranças   ouvindo o vento cantar    no farfalhar das árvores   o olhar fixo no horizonte   o pensamento fixo em seu olhar   busco decifrar    o enigma das nuvens   e o mistério de seu sorriso   desejo o pôr de seu corpo ao meu   assim como    a noite devora    os sonhos do entardecer   anseio descansar em teu seio   assim como   as estrelas buscam    repousar no firmamento   entarde(sendo)   Fonte:  http://www.danielgtr.com/poemas/en-tardeser.html

A efemeridade do tempo - D'Martini

As respostas não vêm quando nós assim desejamos... As perguntas se intensificam e você não sabe para onde seguir! Você se perde em um banco de uma praça qualquer, enquanto espera... um sinal? uma resposta? Dúvidas! Incertezas... E a vida segue... sem você entender sem você perceber.. Os dias seguem seu curso natural, os minutos não param... Aí você percebe que esteve perdido por tanto tempo, que ficou difícil se encontrar novamente!!! E o sol vai embora, você agora está, em um banco, de uma estação qualquer sua mente divaga nos passos largos daqueles que correm para em algum lugar chegar, porque tempo, para eles, não há... Você sempre deseja ter tempo.. E quando o tempo lhe é concedido.. O que fazer com esse tal tempo??? Se você nunca parou pra pensar.. Espera só a vida te dar.. O frio então vai se aproximando... O vento gélido acaricia seus cabelos... As folhas se movem livremente buscando naquele momento seu espaço.. No mesmo instante olha...