Sacudia o meu lencinho Para estendê-lo a secar. Foi pelo mês de dezembro, Pelo tempo do Natal. Tão feliz que me sentia, Vendo as nuvenzinhas no ar, Vendo o sol e vendo as flores Nos arbustos do quintal, Tendo ao longe, na varanda, Um rosto para mirar! Ai de mim que suspeitaram Que lhe estaria a acenar! Sacudia o meu lencinho Para estendê-lo a secar. Lencinho lavado em pranto, Grosso de sonho e de sal, De noites que não dormira, Em minha alcova a pensar, - porque o meu amor é pobre de condição desigual. Era no mês de dezembro, Pelo tempo do Natal. Tinha o amor na minha frente Tinha a morte por detrás: Desceu meu pai pela escada Feriu-me com seu punhal. Prostrou-me a seus pés, de bruços, Sem mais força para um ai! Reclinei minha cabeça em bacia de coral. Não vi mais as nuvenzinhas Que pasciam pelo ar. Ouvi minha mãe aos gritos E meu pai a soluçar, Entre escravos e vizinhos - e não soube nada mais. Se voasse o meu lencinho Grosso de sonho e de sal, ...
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